O homem implora pela misericórdia de Deus,
mas não tem piedade dos animais,
para os quais ele é um deus. — Buda
Tenho paixão por animais. Paixão total. Fora de controle. Até hoje não entendo como não tomei o rumo da medicina veterinária. Quando estou na rua e vejo alguém com um animal lá do outro lado, preciso ir até lá para ver de perto. Para acabar com meu dia, não há nada pior que ver um animal em sofrimento. Já parei trânsito intenso porque comecei a brigar com um carroceiro que judiava do cavalo. Usei durante muito tempo o famoso adesivo “ODEIO RODEIO” em meu carro… e fui xingado por isso. Em minha casa, a dedicação de minha família vai para uma linda cachorra da raça pastor alemão e para uma excepcional gata “vira-lata” (o melhor gato, melhor que qualquer um de raça). Aliás, gata excepcional nos dois sentidos: além de ser uma presença marcante na nossa vida, excepcional, ela é excepcional no sentido de especial — tem problema neurológico, por isso não pode sair de casa e todo o ambiente é controlado. É uma grande alegria na nossa vida, a alma da casa, presente já há dez anos. A cachorra tem apenas quatro na família.
No Brasil, se um dia os animais conquistarem metade do bom tratamento que recebem em países de Primeiro Mundo, será uma grande vitória, ficarei muito feliz. Toda vez que viajo para lugares desenvolvidos eu fico muito revoltado ao observar e comparar a situação com a do meu país.
Já assistiu a Distrito Animal no canal Animal Planet? Eles mostram uma polícia norte-americana especializada em proteger animais. Donos que maltratam seus bichos saem de casa algemados. Aqui, passei pela situação de ver durante anos um antigo vizinho maltratar um cachorro. Não consegui fazer nada. A sociedade protetora dos animais não apareceu por lá, por mais que eu pedisse. A polícia foi, viu as péssimas condições… mas disse que “pelo menos” aquele bicho tinha um lugar para ficar. E ponto final. Nem quero, agora, entrar em detalhes dizendo que boa parte dos meus vizinhos no condomínio matam gatos. Cadeia seria uma boa…
Chegará o dia em que um crime contra um
animal será um crime contra a humanidade.
— Desconheço o autor
Você sabe como animal é tratado na Alemanha? Como rei. E os pombos? Ah, são vilões no Brasil. Em São José do Rio Preto (SP), por exemplo, são “agentes do mal” que precisam ser exterminados; na Europa, são admirados, bem tratados, olhados com carinho. Em Londres, vi inúmeros pombos com plaquinhas de identificação na pata — ninguém quer matá-los. Na Grécia, simpáticos cachorros estão por todos os lados, mansos, todos com dono, andando entre lojas, dormindo entre mesas de importantes tavernas. Uma paz invejável. Ninguém expulsa nenhum cachorro. Uma situação de chorar… de emoção. Parabéns aos gregos!
Se eu fosse um animal e pudesse escolher onde morar, a escolha seria a França. Os franceses enxergam os animais praticamente como humanos. No geral, o francês é um povo nota 10; com esse modo de tratar os animais, passa a ser um povo nota 20. Os animais tem livre acesso em quase todos os lugares. Quase não se vê a plaquinha PROIBIDO ANIMAIS. Vi muitos cachorros em supermercados e em shoppings, por exemplo. Andando naturalmente com os donos. É claro que os donos tomam o cuidado de usar coleira, guia e focinheira quando o animal é bravo. Situação incrível, incrível mesmo, eu vi em um McDonald’s de Paris: uma família chegou com um cachorro… e o colocou à mesa, como se fosse mais uma pessoa! Fiquei parado, atônito, como se eu estivesse num episódio do Além da Imaginação, vendo a cena mais bizarra do planeta! Tudo bem, não precisamos chegar ao ponto de colocar animal à mesa, mas um povo CULTO que chega a esse ponto é tremendamente admirável. (Minha gata, dormindo aqui ao lado, toda dengosa, acaba de dar um gemido. Talvez seja um jeito de dizer que entende o que escrevo, que ela concorda e me dá uma força para passar o recado.)
Como ainda há muita ignorância no Brasil com relação a animais, qualquer avanço é digno de nota. Tenho visto na mídia notícias sobre bares e restaurantes que preparam áreas especiais para que as pessoas fiquem com seus bichos. Costumam ser áreas externas, separadas, mas isso já é um avanço. O Guia da Folha Online publicou uma lista de restaurantes, padarias e bares amigos dos animais em São Paulo. A Época — São Paulo também publicou uma lista. Espero que isso vire “moda”. Nenhum tratamento especial, por mais especial que seja, está à altura da GRANDEZA dos animais. A pureza deles e o prazer que podem nos proporcionar estão comprovados em sérias pesquisas por todo o planeta. Por exemplo, pacientes com doenças graves se recuperam mais rápido quando convivem com animais. (Leia depois um pouco sobre isso no post “Menina, minha gata, um ser superior”, publicado no blog Magia do Contato.)
Faço questão de fechar este post com uma lei aprovada na Itália em 2005. Que sirva como reflexão para nós.
O que a lei trouxe como LUZ para a sociedade italiana:
- Multa para quem tortura peixe deixando-o em aquário pequeno.
- Obrigatoriedade de passeios e exercícios com cães.
- Prisão para quem abandona cão ou gato.
- Multa de até 500 euros para quem não passeia com seu cão regularmente.
- Proibição de cortes de rabos por razões estéticas.
- Proibição do ato de dar peixes ou outros animais pequenos como brindes.
Infelizmente, nada é perfeito neste mundo. A tão admirada Europa também apresenta casos abomináveis. O curioso é que são casos que acontecem em sociedades cultas, muito evoluídas. Um dos casos é a prática da caça na Família Real britânica. Um outro caso são as touradas na Espanha.
A civilização de um povo avalia-se pelo
modo como trata os animais. — Humboldt











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7 usuários com resposta neste post
Aaaah… estava demorando pra você postar sobre isso, né!
Esses poucos avanços que acontecem no meio nos dão a impressão de que as coisas estão melhorando, mas o abandono vem na mesma proporção. Maus-tratos, idem. Vejo e vivencio cada situação… duas semanas atrás, resgatei uma gatinha que estava no esgoto, debaixo da linha férrea, no centro da cidade. Trouxe-a para casa. Viveu 38 horas com a gente, mas morreu com dignidade.
No entanto, o que mais me deixa indignado é a hipocrisia, a ignorância. Dias atrás, dois indivíduos conversavam aqui no meu escritório sobre gente que preferia pagar 12 reais no quilo de ração pra cachorro, mas não adota uma criança. Isso me faz perder os cabelos, de tanto que me deixa nervoso. Imediatamente eu perguntei: quantas crianças o senhor já levou pra casa? Dá educação moral, social, lazer? Paga um plano de saúde? Alimentação adequada? Porque, se for pra tirar da rua e jogar no quintal como uma vassoura velha, prefiro continuar ajudando os animais.
É a velha história: gente que fala muito e pouco faz… e ainda de braços cruzados.
Magnífico, Glauco!
Temos esse amor em comum: fora do controle, porém, conscientes.
Digo com convicção que são nossos superiores. Meu estado de espírito crê nisso, e ponto final. Há quem não concorde, desdenhe, critique e até dê uma boas risadas…
Parabéns, Glauco, pelo texto; como sempre, tem magia.
*******************
*Um abração para o Thiago, do comentário anterior: este sim, um benemérito real dos animais. Sou um ‘grão’ de areia comparada a ele. Pessoa ímpar, piramidal.
Digo isso porque o conheço e sei de suas aventuras de carinho, ternura e amor aos animais. Pessoa invejável pelo espírito de solidariedade aos animais. Um exemplo!
Olá Glauco!Parabéns pelo belo texto!Infelizmente não temos uma política voltada p/ defender os animais.Parabenizo a todos comprometidos com a causa da defesa animal.
Um abraço a todos.
Albani
Conta-se…
Um velho índio descreveu certa vez
os seus conflitos internos:
“Dentro de mim existem 2 cachorros,
um deles é cruel e mau,
o outro e muito bom e dócil.
Os dois estão sempre brigando”…
Então lhe perguntaram:
Qual dos cachorros vence a briga?
O sábio índio parou, refletiu e respondeu:
“Aquele que eu alimentar”.
***
E nós…
Como estamos lidando com nossos conflitos internos?
Façamos as melhores escolhas.
Que Jesus nos ampare e nos ilumine…
hoje e sempre!
Um abração!
[ [ RESPOSTAS ] ]
THIAGO, você tem razão. Aliás, sua visita/comentário foi uma honra para o blog. E mais: no exato instante em que escrevo esta resposta, minha gata pula na mesa, como se quisesse lhe passar um alô…
LILI, *magia* é a sua presença aqui — você que tanto me ensinou a amar animais.
ALBANI, você é outra presença que ilumina o blog. Obrigado!
GLAUCO
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[…] post anterior, “Animais: tão ‘gente’ quanto nós“, citei cachorros na maior boa vida na Grécia. Estive naquele país em 2008. Na foto abaixo, […]
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