Domingo eu assisti ao comentado filme nacional Bezerra de Menezes. Apaixonado por filmes, vou a cinema toda semana. Poucas vezes senti tanto pelos $18 deixados na bilheteria.
Querem valorizar o cinema nacional, atrair mais público, conquistar mais respeito, mas freqüentemente dão tiros na água. Ainda preciso de antiácido para digerir esses filmes. Até hoje, o único filme brasileiro que me fez sair satisfeito do cinema foi Olga, de bom roteiro e produção caprichada. O cinema nacional ainda se repete muito (favela-violência-miséria-carnaval-futebol–favela-violência-miséria-carnaval-futebol–favela-violência-miséria-carnaval-futebol) e — ouso dizer — ainda carece até de profissionalismo, principalmente porque não temos estabelecida a figura do PRODUTOR como vemos na indústria norte-americana.
Bezerra de Menezes (BM), além de espantar o público do filme nacional, não cumpre sua outra função: divulgar o Espiritismo e os ideais do próprio médico retratado na história.
Não foi surpresa ver um filme de baixo orçamento. Eu já sabia disso e resolvi não levar em consideração, porque estava interessado na história e considerava o filme uma louvável iniciativa. Mas a produção é tão baixa que me incomodou. Som, iluminação, figurino, cenário, maquiagem, trilha sonora, barbas e bigodes estilo teatrinho de colégio… Incomodou porque eu sabia do baixo orçamento e porque o ator Carlos Vereza humildemente comentou isso no Programa do Jô, mas ainda assim eu vi alguns sites afirmarem que o longa-metragem “foi realizado com a mais avançada tecnologia digital” (?), para não citar outras coisas.
OK, OK, eu não ia reparar em nada técnico. Estava decidido. Então por que não recomendo o filme?
Porque técnica eu até posso desconsiderar, reconhecendo o esforço de uma equipe em contar uma boa história. Ah, veja só, contar uma história. Aqui está: o grande problema do filme BM está no roteiro. E roteiro é TUDO em um filme. Se o roteiro for ruim, não adianta contratar o melhor diretor, os melhores atores e os melhores técnicos. Dizia Hitchcock: “As três coisas mais importantes para um bom filme são (1) o roteiro, (2) o roteiro e (3) o roteiro”.
O roteiro de BM é completamente perdido, confuso, vazio, sem nenhum senso de pique narrativo. Sinceramente, nunca tinha visto algo semelhante. O mais perto disso, para mim, era o perdido roteiro de A Dama na Água, filme escrito e dirigido por M. Night Shyamalan (aquele de O Sexto Sentido). Todo o público de BM saiu da sala resmungando e tentando espantar o sono. Ah, sim: em fatos que aparecem escritos na tela, há transgressões da norma culta da língua portuguesa.
O roteiro foi tão confuso que sequer contou direito a história de Bezerra de Menezes. Não há nenhum grande destaque, nenhuma chama de paixão na história. Chama de paixão porque, quando vemos um filme baseado numa grande personalidade, tendemos a nos envolver com essa pessoa, seja ela boa (Patch Adams, Schindler) ou má (Hitler, no genial filme alemão A Queda). O coitado do Bezerra de Menezes ficou frio lá na tela. Quando eu desconfiava que o filme fi-nal-men-te ia emplacar, já era fim, ele morre. Ué! E a história? As pessoas saíram da sala com a sensação de “por que um filme sobre ele se não foi ninguém tão especial e o Zé que dá palestras lá no meu Centro Espírita faz muito mais?”. Quiseram enaltecer Bezerra de Menezes, realmente um grande ser humano, mas no fim os realizadores do filme nos deixaram com essa ponta de dúvida, com essa sensação de que o médico nem foi “tudo aquilo” que dizem. Conseguiram o oposto!
Divulgar o Espiritismo e uma pessoa ilustre é um grande projeto para um filme. Mas é preciso haver um mínimo de bom-senso, de capricho — pelo menos no roteiro.
Nem o brilho do genial Carlos Vereza salvou o projeto. Nem o brilho de Anna Rosa. Aliás… o que eles estavam fazendo lá???











Artigos Relacionados
5 usuários com resposta neste post
Nao faz isso de contar final. Muita sacanagem !
[[RESPOSTA]] Mas… é claro que ele morre no final!
É o que todo mundo espera. Como ele poderia estar vivo? Não estraguei “surpresa” nenhuma… É uma história real de uma pessoa que morreu há muito tempo. // Abraço, Glauco
Amigo Glauco, abandonei o Espiritismo, na sua forma “organizada”, há muito tempo. Aqui no Brasil, não existe Espiritismo, mas “Catolicismo Espírita”.
No entanto, fui assistir ao filme mesmo assim, pois a família queria etc. Então lá fui eu.
E concordo com seus comentários inteiramente, mas concordo ainda mais com a mesmice do cinema nacional que você menciona logo no início. É por isso que não sou fã desse gênero e não faço questão de assistir a nenhuma obra nacional. E quando vou, dou com os burros n’água.
Parabéns pelo blog!
Lucas
Amigo, sem dúvida, sabia que BM está no andar de cima(linguagem
popularesca).
Acredito que o genial Carlos Vereza come chocolate “de montão” para esquecer que ‘foi sem nunca ter sido’ o mocinho do filme. Nem por isso perde seu brilho.
E o BM??? Queria tanto saber mais…
Será que terá o BM 2?
Chiiiiiiiiii! Estraguei a surpresa!
Abraço.
Val
Glauco,
Estou comentando aqui, porque é o último post.
Não posso falar do filme, porque não vi.
Vi Olga e concordo que foi a melhor produção nacional que assisti.
Mas o que queria dizer mesmo é que adorei o seu blog e vou voltar sempre ok?
Tou com saudades.
Beijão
Luisa
Mande uma resposta