[Post atualizado. 10/abr/2010]
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O Coelhinho da Páscoa brasileiro, coitadinho, está triste. Por entregar produtos feitos com chocolate de terceira (quinta?) categoria. E caros! (abuso de fabricantes + impostos amargos que o governo enfia em nosso coração como uma faca)
No Brasil, chocolate está cada vez pior. Saudade da minha infância… Até Bis, Sonho de Valsa e Batom eram bons!
Sabe quando você comerá chocolate realmente de primeira categoria? Quando viajar para o exterior. Aproveite! Compre em qualquer lugar! Chocolates baratos, inclusive! Abuse! Traga vários para o Brasil!
Mesmo quando se trata de produto mais caro, mais “selecionado”, o brasileiro não tem mais acesso ao boooooom chocolate que se vê lá fora. Hoje, o mais próximo, aqui, é a linha Kopenhagen — principalmente o chocolate chamado Língua de Gato. A Cacau Show também oferece uns bons produtos. Ah, comprar chocolate importado? Estranhamente, não é igual. Por que será?…
Você come algum chocolate vendido no Brasil… e gosta? Sinto muito: você pensa que conhece chocolate. Dependendo de sua idade, já comeu chocolate gostoso por aqui, muitos anos atrás. Mas pode ter esquecido o verdadeiro sabor, acostumando-se com o sabor atual. É como a pessoa com boa visão que fica míope no decorrer de alguns anos: como o declínio da visão é gradual, a pessoa sempre pensa que a maneira como enxerga é correta; um dia, quando coloca óculos ou lentes de contato, é um choque, a pessoa redescobre o mundo, percebe quanto enxergava mal.
A situação é irritante. Em países desenvolvidos, o chocolate barato é gostoso. Chega a ser ofensa compará-lo com chocolates vendidos no Brasil. Na Holanda, por exemplo, comprei chocolate COMUM em supermercado, produto de apenas $1,5 euro, e até hoje o sabor marca no meu paladar. Trouxe vários para casa. Um chocolate baratinho em Portugal também humilhou o chocolate vendido no Brasil. Um produto da Nestlé (esqueci o nome, me desculpem) muito vendido no Brasil, meio caro e sem graça, é vendido também na França; comprei em Paris… e nem pude acreditar na enorme diferença. O mesmo produto, mas com caprichos diferentes na produção, no sabor.
Sim, é irritante. Mostra a falta de respeito com que a indústria em geral trata o brasileiro. Parece que dizem: “Ah, pra esse povo aí qualquer coisa serve! A gente capricha pros outros!”. Não nos respeitam mais nem quando se trata de produto mais caro!
Pior: isso não se resume a chocolate. Ahn? Acha exagero meu? OK. Aqui vai mais uma: veja as frutas que compramos em nossos supermercados, depois observe as frutas que os países desenvolvidos compram de nós. Ficará confuso, pensará que não são frutas do mesmo país. Sim, há frutas de boa qualidade por aqui, mas nota-se a diferença nas exportadas. (“Para brasileiros, a qualidade inferior.”)
Olhe bem para mim. Eu sou o café tomado no Brasil.
Concentre-se. Eu sou bom. Eu sou muito, muito gostoso.
Oooooooouuuuuuuuummmmmmmmmmmmmm…
Café é outra tristeza! Mas atenção: aqui eu falo para o “cafeólatra”, como eu — a pessoa que aprecia café, não toma só por tomar, por vício; a pessoa que deseja um café forte e encorpado. Eu simplesmente não encontro, no Brasil, mais nenhum café digno de elogio. Há, no máximo, o café razoável.
“Ah, mas o Brasil é o tradicional produtor e exportador de café! Nós temos o melhor do planeta!” Realmente! Mas não para consumo interno. Se você nunca foi para país desenvolvido, gosta de algum café daqui e me acha agora um exigente chato, sinto dizer que você não sabe o que pensa em relação a café. Você pensa que conhece o verdadeiro bom café. Pode ter tomado um café melhor no passado. Vale aqui o mesmo exemplo do míope.
Mais uma vez, o desrespeito ao brasileiro. Separa-se o melhor grão para envio a outros países. Para nós, pobres brasileiros, o café COMUM… ou o RUIM… ou o HORRÍVEL.
Todo mundo lá fora conhece a fama do Brasil em relação a café. (Aliás, a fama não passa disso: café, samba, carnaval, futebol. Ponto final.) Aprecia-se o grão brasileiro como o melhor. E é mesmo: o Brasil produz o melhor café do planeta. Mas boquinha de brasileiro, em território verde e amarelo, não prova o café delicioso.
Em outros países, entro em várias cafeterias. É uma paixão. Quando falo que sou do Brasil, muitos dizem: “Oh, um brasileiro, alguém que conhece mesmo café! Toma o melhor do mundo!”. Aaaaaah, tá!…
Em Paris, uma pessoa chegou a dizer que tinha inveja (!) de mim, pelo café que eu tomo no meu dia-a-dia. Que francês iludido e desinformado! Ainda tinha conceito inverso: o melhor ficaria no Brasil, em vez de ser exportado. Tadinho do francês!
Em Amsterdã, o simpático atendente de uma inesquecível cafeteria disse, com orgulho, que só usa grão brasileiro. E que ia caprichar muito no meu café, para que eu ficasse feliz tomando ali um café como o que eu tomo em minha rotina no Brasil. Eu disse: “Que bom! Finalmente um bom café! Precisei enfrentar 11 horas de viagem, atravessar oceano… para tomar coisa boa de verdade!”. Ele se assustou, aí eu expliquei.
Aliás… que café!!! Minha nossa! Aquilo não se toma no Brasil, não! Como pode ser grão brasileiro?! (Para conhecer essa cafeteria, clique aqui e leia um outro post do blog.)
Dos Estados Unidos eu nem falo, porque lá eles compram grão de qualidade para “estragar” depois. Para mim e para os apreciadores de café, o café do jeito que eles tomam é “heresia”.
Um chá. Nada como um café na Europa (em qualquer país).
Tenho máquina de espresso (com s mesmo) em casa. Mas não consigo o mesmo prazer. Quero AQUELE café da Europa. Aquele café BRASILEIRO! Por que não tenho esse direito?!
Dias atrás, minha mãe comprou, num supermercado daqui de Brasília, um pacote com grão de qualidade “superior”. Pagou umas 6 vezes mais caro que o pacote normal. Confesso que o café era melhor, mas ainda assim estava longe do café brasileiro que se toma na Europa. Não vale gastar dinheiro a mais.
Ah! Os preços! Lá vem exploração no Brasil, lá vem imposto demoníaco! Como se justifica o preço de um espresso no Brasil? Em Portugal, por exemplo, este ano mesmo, o mais caro que paguei por um expresso daqueles foi 1 euro. É comum pagar 80 centavos de euro. Em uma ótima cafeteria de um shopping luxuoso de Lisboa, paguei… 65 centavos! Isso depois de eles importarem o nosso café?!
Então como se justificam os preços no Brasil??? Vale lembrar: o europeu já ganha em euro; não converte moeda. A realidade deles é pagar aqueles centavos por um café que nós não sonhamos em tomar no Brasil!
Como sempre, em TODOS os setores, os preços no Brasil são um delírio injustificável e incompreensível.
Se você viajar para a Europa… abuse com café e chocolate!
Gastará pouco… e terá alta qualidade na boca.
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(Republicação deste post. Revisto e atualizado.)
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14 usuários com resposta neste post
Que o Brasil sempre foi desprezado em certos aspectos, isso é verdade — e continua sendo. O motivo? Nós somos passivos, empurram os produtos (literalmente) goela abaixo, e aceitamos. Hoje, com o advento da Internet, é muito mais fácil reclamar, exigir, e ainda assim consumimos.
Falando em chocolate, lembrei dos achocolatados da vida (Toddy, Nescau etc).
Eu não consigo tomar leite sem algo (café, chocolate), e faço uso dos tais. Só que hoje o Toddy é tudo, menos o Toddy de antigamente. É uma mistura de “não-sei-o-que com sei-lá-o-que”. O Toddynho — aquele de caixinha –, que tanto alegrou minha infância, hoje tem gosto de tudo, menos do antigo. É notável.
O café não é novidade. Sabe-se que o café de certas marcas tem MILHO triturado, sementes… legal! A moda agora é tomar chá de milho!
Oi Glauco!
Aqui já não se come um bom chocolate, faz tempo!Café nem se fala.E as frutas!As do Vale do São Francisco, selecionadíssimas, vão para o exterior, o que sobra são vendidos nas ceasas.
Que não sejamos desleais ao bem que está em nós, por uma submissão covarde que está na sociedade. Paul Brunton
Amigo, não devemos nos conformar com o que nos oferece com sem qualidade.Sejamos consumidores,mais exigentes.
Um grande abraço
Thiago, lembrou bem com essa sua listinha de produtos. Como eram diferentes!…
Você lembrou bem, também, ao citar a mistura no pó de café. Ao escrever o texto, eu pensava em grãos. Porque aqui eu tenho moedor e máquina espresso. O grão pode ser ruim, mas pelo menos sei que não tem mistura. Quem compra em pó passa por uma situação mais grave. Como saber o que há misturado ali?
E Albani, trate de segurar um pouco dessas frutas pra nós! Fica mais fácil pra você, que mora no Nordeste… Manda um pouco pra mim. E pro Thiago, tá?
GLAUCO
Oi amigo!
Acesso as essas frutas só quando viajamos a Petrolina no Vale do São Francisco, por que aqui em recife po que vemos nas feiras livres éo que a exportação não quer, apesar de termos a lojas de frutas selecionadas, pagamos caro por esse luxo.Mas qdo eu for a Brasilia ou vc vim ao NE poderá experimentar essas reliquias.
Um abração
Albani
correção
(em Recife o que vemos é o que a exportação não quer.)
o mundo desde de que é mundo é assim o brasil terra onde tudo o que planta nasce, ficamos com os restos de tudo café, chocolates enfim..
concordo plenamente temos o melhor café mais do que adianta de exportamos e depois ficamos com a [merda] com a licença da expressão.
Mais acho também que os brasileiros tem a memória fraca não enxerga essas humilhações que sofremos no dia-a-dia, trabalhamos tanto para alimentar um sistema sujo sistematico que as vezes mim dá nojo.
quer dizer para falar francamente ficamos com os restos como se fossemos vagabundos e miseráveis esperando esmolas e restos que sobram..
É isso mesmo, Manuela. Ficamos com o RESTO, com o que NÃO PRESTA. E não é só café. Chocolate (já escrevi sobre isso também) é outro exemplo.
GLAUCO
Olá, que bom rever esse post!Você comeu muito chocolate?
Não se preocupe, no dia que eu for a Brasília, levo uma cesta de frutas p/ Você e Lídia!
Abraço
Concordo com o senhor: depois que se experimenta chocolate europeu, não se consegue mais consumir o produto brasileiro.
Para comprovar isso, basta comprar qualquer chocolate francês da marca Casino, vendido nos supermercados Pão de Acúcar (inclusive via Internet). Custam quase o mesmo que os nacionais, mas a qualidade é absurdamente superior. Sempre que vou às compras, trago vários do tipo “Cacau 85%”.
Outro dia meu estoque acabou e, por azar, o mercado também estava sem. Comprei um semelhante da Lacta. O sabor e a textura eram tão inferiores que acabei sentindo isso que o senhor relatou: como é que passei tanto tempo comendo algo tão ruim, sem saber?
Depois disso, comprei um da marca Cacau Show, que todo mundo acha ótima. Paguei o DOBRO do que custou o importado Casino, e a decepção foi igual à proporcionada pelo Lacta.
Desisti. Hoje, se o Pão de Açúcar tem Casino nas prateleiras, compro vários para estocar; se não tem, não compro nenhum outro.
Ah, sim: também experimentei outras marcas européias à venda no supermercado. À exceção de um suíço (do qual não lembro a marca, mas era surpreendentemente ruim), todos eram bem melhores do que qualquer nacional. Pena que os preços são muito muito mais altos — o que, para o senhor, claro, não é nenhum problema
Falando em pessoas chiques que só consomem do bom e do melhor sem questionar preços, o senhor já provou os cafés Nespresso? São caros, bem caros (de R$ 2 a R3 por cápsula), mas parecem fazer jus à fama que têm. As cafeteiras também não são nada baratas. Mas é possível degustar esses cafés antes de investir em cafeteira e cápsulas: a Nespresso serve seus espressos em lojas e quiosques dos shoppings mais sofisticados (sim, justamente aqueles que o senhor freqüenta).
Albani, comi chocolate, sim, mas até desanimei com a qualidade ruim a preços altos… ;-(
Olá Glauco,
Só fiquei intrigado com o parágrafo sobre a “inesquecível cafeteria” (coffee shop?) em Amsterdam. Que “grão” era esse? haha
Oi, João!
Ainda bem que você me entende.
Sem dúvida, o chocolate lá fora SEMPRE é melhor — e mais barato. O que me intriga é comprar, muitas vezes, chocolate importado aqui mas ele não ter o mesmo ótimo sabor do chocolate comprado direto lá fora… … … Faz pensar, né?
Essa “esnobação” que você joga para mim eu sei que é brincadeira. Afinal, eu falo que, em outros países, PAGO MAIS BARATO — e não preços inacessíveis para a maioria — que os preços praticados no Brasil.
Conheço bem a novidade Nespresso. E gosto muito. Acho que vale a pena. Mas o preço está injustificavelmente salgado demais… Já pagamos bem mais caro pelas máquinas (vi muuuuuito mais barato lá em Portugal). Agora pagamos bem mais caro também pelas cápsulas?! Estou tão cheio de exploração neste país!!!…
Rodrigo, o atendente me disse que era café brasileiro. E, todo orgulhoso, disse que usa APENAS brasileiro. Eu fico pensando ONDE achar um café daqueles no Brasil…
[…] post “Chocolate e café no Brasil: gosto ou desgosto?“, cito uma deliciosa cafeteria em Amsterdã (Holanda). Por padrão, cafeterias na Europa são […]
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