Évora fica na região do Alentejo, em Portugal. Nesse agradável lugar encontra-se um dos pontos turísticos mais sinistros que eu já vi: a CAPELA DOS OSSOS. A capela faz parte da famosa Igreja de São Francisco, na Praça 1º de Maio.
No século 16, havia 42 cemitérios monásticos na cidade. Ocupavam um espaço muito grande, e pensava-se em um modo de aproveitar essa área para outros fins. A solução dos franciscanos, criativa e sinistra, foi extrair da terra os ossos e usá-los para erguer e “decorar” uma capela. Calcula-se o uso dos ossos de mais de cinco mil monges, entre crânios, tíbias, vértebras e fêmures, dispostos nas paredes, nas colunas e no teto, em macabra arquitetura, desenhando ornamentos. A capela é formada por três naves, com as luzes entrando por três frestas à esquerda. As paredes e os oito pilares são revestidos de ossos ligados por cimento pardo. As abóbadas são pintadas com motivos alegóricos à morte.
Logo na entrada, o visitante encontra os simpáticos dizeres “NÓS OSSOS QUE AQUI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS” (foto acima). É uma referência aos objetivos dos monges com a construção: “sirva de consolação a uns e de notícia à curiosidade doutros”. Evidencia-se, enfim, a transitoriedade da vida.
A seguir, mostro toda a visita, desde o lado de fora, na praça. Você agora vai “passear” comigo, conhecer a capela em detalhes nunca antes vistos em um site. São dezenas de fotos, por isso esta página pode demorar um pouco para carregar. Preferi assim; ao menos eu mostro mais detalhes a meus visitantes. No final, você encontrará meu vídeo feito lá dentro, com algumas legendas explicativas.
Se você for muito sensível, não prossiga. As imagens são impressionantes. Há notícias de pessoas que passam mal na capela… e até desmaiam!
Respirou fundo? Então vamos!
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- Igreja de São Francisco. Entrada da Capela dos Ossos.
- Passando pelo portão, agora olhando para a direita. O que seria isso no chão? O que tamparam ali? Por quê?
- Bem perto dali, outro detalhe curioso. O que haveria por trás disso? Por que lacrado assim? A Igreja e seus mistérios…
- Entramos em um corredor. À direita, umas árvores frutíferas. E aí? Aceita?
- O corredor, mas agora olhando para trás, depois de atravessá-lo. À esquerda estão as árvores; lá no fundo, depois do arco, estão os dois “detalhes curiosos” que acabo de mostrar.
- Atravessamos uma porta de vidro… e vemos uma placa (sem capricho, né?) que já nos causa um arrepio…
- Viramos à direita. Novo corredor. Ali ao fundo, à esquerda, nós vamos entrar…
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Chegamos à Sala do Capítulo, onde se reuniam os frades no começo e fim de cada dia e onde eram feitos os grandes conselhos e capítulos conventuais. Foi construída no reinado de D. Manuel I, no século 16. As fotos a seguir são dessa parte. Aqui, compraremos também nossos ingressos. A entrada da capela está bem perto…
Prepare-se!…
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- Os azulejos que circundam a sala representam a Via Sacra.
- OK. Vamos logo comprar os ingressos! Aproveite para ver aqui os preços e os horários de visita.
- Uma sinistra mão com luva preta de lã exibe o ingresso… Observe: paga-se um extra de 50 centavos de euro para poder fotografar e filmar na capela.
- Calma… estamos a caminho… Veremos alguns quadros e objetos dos monges.
- Preparado? Agora sim nós entraremos na capela! Está logo ali…
- A entrada.
- A partir de agora, direto, alguns detalhes do interior da capela. Observem os “ornamentos” nas paredes, no teto e nas colunas. TUDO AQUI É OSSO.
POEMA EXIBIDO:
As caveiras descarnadas
São a minha companhia,
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas
Muitas foram respeitadas
No mundo por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram à vaidade,
E talvez… na eternidade
Sejam causa de seus tormentos.
- O que seria aquele corpo pendurado lá na parede? (E, à esquerda dele, um bebê.) O corpo também é real. Está pendurado, largado, com as roupas originais. Sinceramente? Achei uma falta de respeito. Para piorar, há um sensor de movimento no exato ponto onde estou: ele aciona a luz que — você vê aqui — ilumina o corpo. É uma “surpresa” assustadora para o visitante, mas fica nisso mais um tom inadequado de trem-fantasma. No final deste post há um vídeo que eu fiz na capela. Isso é mostrado.
OUTRO POEMA:
Aonde vais, caminhante, acelerado?
Pára… não prossigas mais avante;
Negócio, não tens mais importante
Do que este, à tua vista apresentado.
Recorda quantos desta vida tem passado,
Reflecte em que terás fim semelhante,
Que para meditar causa é bastante
Terem todos mais nisto parado.
Pondera, que influído d’essa sorte,
Entre negociações do mundo tantas,
Tão pouco consideras na morte;
Porém, se os olhos aqui levantas,
Pára… porque em negócio deste porte,
Quanto mais tu parares, mais adiantas.
(atribuído ao padre António da Ascenção Teles)
- Os corpos pendurados, agora em visão melhor. Vale lembrar: à esquerda, um bebê.
- Visão contrária: do fundo da capela, diante do altar, olhando para a entrada.
- Altar.
- Em frente do altar, encontramos os túmulos dos três frades fundadores do convento.
- Podemos ver também o túmulo do bispo D. Jacinto Carlos da Silveira, assassinado pelos soldados de Napoleão durante as invasões francesas, em 1808.
Agora, assistam ao vídeo que eu fiz.
Há legendas explicativas nele (talvez não apareçam
se você visualizar o vídeo por smartphone).
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Há outras capelas de ossos em Portugal. Visitei as duas de FARO, região do Algarve.
Mostrarei em outros posts.
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Apesar de muito sinistra, a Capela dos Ossos que você acaba de conhecer é uma visita que vale a pena.
Vai a Portugal? Ao pesquisar passagens aéreas, dê uma olhada também em melhoresdestinos.com.br.
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18 usuários com resposta neste post
Já tinha visto, muitos anos atrás, fotos dessa capela. Mas você mostrou detalhes muito diferentes e seu vídeo está ótimo!
Parabéns!
Glauco!
Simplesmente, surpreendente!Deu um frio na barriga vendo a luz acender e mostrar o esqueleto pendurado, nossa, arrepiante. Mas sou corajosa vi até o final.Você mostrou muitos detalhes.Ah, vc tem uma bonita voz!O sinistro foi suavizado por sua voz. rsrsrsrsrsrr
Abraço
Parabéns pelo excelente post.
Adorei
Albani
Belíssimo post, mestre. O senhor não estava brincando quando disse que a capela era fascinante. E sinistra.
Obrigado por, mais uma vez, servir de cobaia ao visitar e mostrar lugares em que eu nunca teria de coragem de pôr os pés.
Incrível!
Impressionou-me o livro de cânticos. Aquela partitura tem, no mínimo, 450 anos.
A música ambiente é, também, medieval.
Impressionante!
Olá, LUCAS! Muito obrigado pelo comentário! Um grande incentivo!
O seu também, JOÃO CARLOS! Obrigado!
Se sonhar com uns ossos, não vai me culpar, não, né?
ALBANI, meu obrigado a você também. Mulher corajosa por ler até o fim!
THIAGO, a música ambiente que toca lá aumenta demais o tom sinistro. E o livro de cânticos é pra encantar qualquer pessoa que aprecie isso.
GLAUCO
:: TOTH ::
Amigo A coragem vem da curiosidade e ansiedade de saber mais.Aqui seus leitores encontram informação, em particular tenho me atualizado.
bjs
[…] Um completo passeio virtual enriquecido com dezenas de fotos — no estilo do que fiz para mostrar como é a visita à sinistra Capela dos Ossos em Évora, Portugal (um post que faz muito sucesso por aqui, já visualizado inúmeras […]
[…] Um completo passeio virtual enriquecido com dezenas de fotos — no estilo do que fiz para mostrar como é a visita à sinistra Capela dos Ossos em Évora, Portugal (um post que faz muito sucesso por aqui, já visualizado inúmeras […]
[…] no MUSEU SHERLOCK HOLMES, em Londres. Uma visita completa, no estilo da que publiquei aqui sobre a Capela dos Ossos em Évora, […]
[…] o prazer de visitar Sintra, Cascais, Estoril, Coimbra, Nazaré, Fátima, Évora (onde há a famosa Capela dos Ossos, que virou um post especial aqui no TOTH), Óbidos e mais alguns lugares. (Todos esses locais estarão aqui no blog como posts especiais. […]
Saravá Exu Caveira! : )
Se se tivesse informado melhor poderia ter visitado também as capelas dos ossos de Monforte e de Campo Maior, no Alto Alentejo. Foi pena que não tivesse feito também um filme, para nos mostrar no seu blogue, da de Faro, na igreja do Carmo, um trabalho excepcional trabalho de arquitectura interior, bem estruturado (mais pequeno em área, mas mais alto do que a capela de Evora, e uma utilização mais consciente, se é que podemos dizer assim, para um “negócio” tão macabro, dos ossos na arquitectura).
Abraço de LB, de Beja (onde não há capela dos ossos), Baixo Alentejo, Portugal.
Oi, Leonel!
Muito prazer em recebê-lo aqui, nobre português! Sou fã demais do seu povo!
Sinceramente? Eu não sabia das capelas nesses lugares que você citou. Quando voltar a Portugal (tenho ido pelo menos uma vez por ano, a passeio), tentarei programar dias para visitar as cidades e as capelas.
A de Faro eu mostrarei aqui no TOTH em outro post especial. E eu filmei.
Um abraço e, como dizem os portugueses, “com os melhores cumprimentos”,
GLAUCO
Olá Glauco, saúde
Assim se vão construindo as pontes culturais e de respeito que todos nós necessitamos. Pessoalmente não conheço o Brasil e bem gostava… talvez um dia. Fico entretanto à espera das imagens da capela dos ossos da igreja do Carmo de Faro — não se esqueça de me avisar.
Um grande abraço amigo de LB
Simplesmente, surpreendel!Deu um frio na barriga mais foi impressionante,parabéns pelas fotos!!!
ahahahah
Legal, Bruna! Imagine o friozinho na barriga de ver aquilo pessoalmente!
Glauco, sinistro o negócio, mas ao mesmo tempo é vibrante, eu vou lá, pois vou para Portugal em setembro. Depois vou te escreevr para contar se eu desmaiei ou não. =)
FOI ESPECTACULAR GOSTEI MT
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